A ler:

Les Miserables, Victor Hugo



sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

se isto, se aquilo

Picture by Andrew Kempson, Cunene/Angola
Gostava de ter nascido com um coracao mais pequeno, do tamanho duma colher va. Que chegasse mas nao sobrasse. Que sofresse mas nao arfasse.
Nao ter esta capacidade de caber tudo e mais alguma coisa ca dentro, uma lixeira sem fim. O desnecessario, o necessario, o verdadeiro, o estupido e o superfluo tambem. Ser daquelas pessoas cujas emocoes estao a flor da mente e nao a flor da pele. Pensar que nem tudo vale a pena, mesmo a alma nao sendo pequena.
Tendo em conta que do tamanho duma colher ja e mais que razoavel e a volta da media geral, e tendo eu este king size: tudo mal. Incompreensivel para quem tenta compreender; inexplicavel mesmo eu querendo dar o braco a torcer.
Gostava de ter nascido com a cabeca mais nos ombros, nem muito para a esquerda nem tanto mais para a direita. Apenas no meio, bem assente. O suficiente para nao ter que andar por ai a remendar-me com fita-cola e desviar-me a tempo das sarjetas no meio da estrada.
Gostava ou gostaria, mas como tudo-utopia.

domingo, 9 de janeiro de 2011

aucune definition disponible.

"No, I even know better than that. I'm looking for selfishness. Perfect selfishness. Like, say I tell you I want to eat strawberry shortbread. And you stop everything you're doing and run out and buy it for me. And you come back out of breath and get down on your knees and hold this strwaberry shortbread out to me. And I say I don't want it any more and throw it out of the window. That's what I'm looking for."
"I'm not sure that has anything to do with love,"I said with some amazement.
"It does," she said. "You just don't know it. There are times in a girl's life when things like that are incredibly important."
"Things like throwing a strawberry shortbread out of the window?"
"Exactly. And when I do it, I want the man to apologize to me.'Now I see, Midori. What a fool I've been! I should have known that you would lose your desire for strawberry shortbread. I have all the intelligence and sensitivity of a piece of donkey shit. To make it up to you, I'll go out and buy you something else. What would you like? Chocolate mousse? Cheesecake?'"
"So then what?"
(...)
"Well, to me, that's what love is. Not that anyone can understand me, though." Midori gave her head a little shake against my shoulder. "For a certain kind of person, love begins from something tiny or silly. From something like that or it doesn't begin at all"
-in Norwegian Wood, by Haruki Murakami (c)
Image: Teotihuacan-Mexico

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Desejo sem apetrecho

Eu e tu sem amor, sem pudor, ao pulsar do teu sangue quente, ao ritmo das minhas ancas (…)
Vejo as tuas mãos desbravar cada centímetro oculto, cada pedaço de pecado que nem eu ainda saboreei. Sabe a pecado e queima como a tua lava que me corrói e me aquece o ventre: cheio, cheio de ti. E nas pálpebras que me ofereces cerradas e nas pestanas que me percorrem es tão meu e quase que nunca tão vulnerável. Apeteces-me assim. Sempre doce como um cubo de mel derretido que me beija o corpo e se cristaliza na minha boca. Mas de doce enjoo eu, por isso vou trincando a tua acidez com avidez ate me entorpecer no teu turbilhão de sabores.
Dás-me tudo mas também mo tiras de volta. Admiro isso em ti, a tua perícia descarada, o teu olhar esquivo (intenso) que me perfura as costas. Dói não me cansar de ti. Deixas-me tonta. Por isso escrevi como para curar uma eterna ressaca da bebedeira que és capaz de provocar. Eu adoro a violência do teu quadril, o V das tuas costas, não há nada mais parecido com um Apollo, só meu. Que importa quantas mais vezes te vou ter amarrado a mim, a deriva numa cama que nos engole aos dois? Não há maior mar do que aquele que nos separa quando sentimos o peito arfar sob o desejo ardente que temos de disfarçar. Consegues ser os quatro elementos: fogo, terra, agua e ar. A tua sensatez já não me engana, o teu falar pausado também não, o teu olhar já não evita o que queres contornar. Tal como eu. Tens-me nos dedos quando te prendo no meu leito. Não preciso que olhes, mas quero que me consumas. Preciso do teu apetite insaciável, do teu amor de 30 minutos.
Ate a mão lateja ao escrever pois o que deito nesta folha e o que me Fode o juízo todos os Santos dias.
Fotografia : www.olhares.com (autor, nao me lembro :S)

dear life, "I quit".

Nao se assustem. Mas sim, apetece-me entregar a minha carta de demissao, sem pre-aviso, sem nada apenas porque ja nao da e ninguem conseguiu prever o contrario. Como e que se pode dar aviso previo para romper um contrato que nunca se escreveu?Desiludimos, deixamos para tras sem justificacoes plausiveis e talvez com remorsos.Como em qualquer historia de amor digna desse atributo.
Tambem nao quero regalias nem compensacoes em nome dos meus anos de carreira ou dos feitos cumpridos. Poucos nao sao. Dispenso grandes discursos com choros histericos, lencos brancos em mao. Sorrisos sinceros chegam e sobram.Dem-me apenas um ombro amigo para eu encostar a cabecinha e chorar ate encher de agua salgada o mais fundo dos pocos.
Demito-me; mas so por enquanto pois como tudo na vida, nada que e bom dura para sempre...
Assino em baixo,
Musette

terça-feira, 28 de setembro de 2010

pontos.

lagarta de tanque de guerra- Cahama, Angola
dar ponto sem no, traco sem risco, sol sem la
passo sem pedra, anuncio sem reclame, forma sem fundo
perdicao sem perda, fronteira sem fim, fim sem ti.
...
Se todos os (meus) pontos fracos fossem estes; entao fraco seria o ponto que de fraco nada tivesse.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

16/11/09

Gostava de poder acabar a minha história, conduzir as minhas personagens por peripécias e caminhos intermináveis mas e impossível. Não consigo, pelo menos não hoje. Só quero escrever sobre mim, tirar-te daqui, matar a dor de cabeça e fuzilar os sonhos. Ontem sonhei contigo como há muito já não acontecia; não me lembro bem do que mas sei que alguém andava a tua procura e tu só me mandavas procurar no saco, no saco. E depois dizias: eu viajo sempre com dois sacos, o da roupa e o das outras coisas. Procura no das outras coisas.
Estou farta de ti, não sei aonde te pôr. Se te deito fora, arrependo-me. Se te desprezo, sinto-me ridícula. Se te ignoro, dói. Não percebo este sentimento horrendo que me arrepia e deixa confusa, me tira a paz, pois não sei o que dele fazer. Já e papel gasto a mais para falar duma só pessoa, frases desperdiçadas com detalhes que mais ninguém a não ser eu ira perceber. Trinco-te avidamente mas vomito-te em palavras, que se lixe a digestao. Quero fazer uma pausa mas no entanto fazes-me tão bem. Só preciso de duas frases por dia e por mais incrível que pareça tudo fica melhor, mais sorridente, mais fácil.
Há saudade que não se descreve, aquela que deixa um nó na garganta e o olhar perdido, que nos faz andar à deriva despropositadamente, mesmo quando está tudo aparentemente bem. Há saudade que é ansiedade e espera. A minha noção do tempo anda toda trocada; está tudo ampliado, distorcido.
Acho que me repito constantemente e textos como este já estou a começar a enjoar. Tenho que escrever os meus contos inocentes e fabulásticos, inventar as minhas paródias e criticar tudo o que me apetece. És tão egoísta que nem uma mísera folha podes partilhar. Estou sinceramente farta de ti sem realmente o estar. Tudo é contradição, ambiguidade e mistério para mim quando na verdade são simples frases e coisas normais.
Tenho o gene da complicação no que toca a qualquer assunto teu.
Morri.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Conta-me

Mulher mucubal- deserto do Namibe, Angola
Conta-me dos teus dedos as texturas que foram e quantos corações amassaram

As gotas de água que bebeste e tudo o que não disseste, Conta-me do que não vi e de tudo o que não me lembro
E se algum dia a minha memória se desvanecer, lembra-me o meu sorriso no teu.
Conta-me dos mares e desertos áridos que atravessaste, trapos que usaste para cá chegar
Mesmo que tenhas vindo do outro lado da estrada.
Conta-me os sonhos de vidro que se estilhaçaram e as promessas que te quebraram
No aeroporto, ou no banco da estacão.
Conta-me os detalhes ínfimos, irrelevantes que tu tão bem sabes descrever
Conta e mente se for preciso, sobre o tempo lá fora,
Dizendo que a vida sem mim, sem sol; demora.
Visita-me no futuro; e nos vestígios do passado procura o verso final,
Não me contes nada numa linguagem complicada com sabor a falso
Contento-me com o que me contas entre gemidos e abraços.
Conta-me da minha loucura e intolerância que te parece escapar
E pergunta quem me roubou a razão.
Conta e reinventa histórias comigo, mata a rotina e diz adeus ao impossível.
Ouve as mesmas músicas de sempre e finge que é a primeira vez.
Mas não me peças para dizer como, quando nem porquê…Só quero que me contes pois preciso de saber.
25/01/10