A ler:

Les Miserables, Victor Hugo



segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Blue hotel room

Presidential gardens' gate, Delhi- India
No meio de todo um rol de desconhecido. 54 canais em hindi, uma refeiçao de aviao, uma refeiçao intragavel e outra divinal. 2 dias e quase 2 noites perdidas. Depois de um dia estranho e fascinante, roçar corpos suados a deambular perdidos debaixo de puxadas electricas, numa bruma de especiarias e merda.
Beijar as escadas de um templo desconhecido, cujos escritos e costumes nao me sao nada. Fé que nao me pertence mas que estranhamente me comove.Sujar os pés porque tem que ser né, porque sim. Voltar para o quarto que me comeca a ser estranhamente familiar e vazio. Tudo passa. As coisas nao precisam de ser compridas para serem explicitas nem exageradas. As coisas nao tem que ser em conjunto para serem apreciadas. Ha que aprender.
Daqui para a frente apenas rezo:
- para que o Meu Amor Nunca desapareça,Ninguém me esqueça e no fim de tudo (Ele) sempre me reconheça.
Bons sonhos mundo

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Tal.Vez

Ninguem merece o ir e vir.

A incerteza do jet lag,

As promessas pequenas que nunca se cumprem,

Os momentos de pressa para atrasar o relogio na esperanca de o parar.

Ninguem merece imaginar : as pequenas manias, o "aonde,porque,com quem, como?"

Lutar contra os chatos, o transito,o desejo...ao esperar pela mensagem que nao vem.

Por isso perdoo as palavras entaladas e

O que quer que seja que tenha ficado pelo talvez.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

"the road not taken..."

Covent Garden by N.M. Fernandes
E como estar em no meio dum cruzamento, com um transito infernal, buzinas e gritos e asneiras e nao conseguir escolher nenhum dos caminhos nem sequer por a primeira para arrancar.
Nem esquerda
Nem direita
Nem para a frente, nem para tras.
Cada dia que passa, dos 82 que ja se foram parece-me que cada um acrescenta uma pitada de um novo sabor. E simples, perfeito, ponto. Tenho a certeza. Mas certeza que e certeza nao se pode tomar por certa pois engana-nos e apunhala-nos pelas costas. Como o dito por nao dito quando se deixa desdizer , e se desenrola da nossa lingua como um beijo molhado.
O meu caminho pre-estabelecido, pre-planeado, pre-sonhado: hoje com cada vez mais nublina e curvas sinuosas pela frente. Mas sempre um sonho. O outro caminho jaz imovel; pequena restia de um futuro com um sorriso no rosto- incerto.
Qual deles o melhor?
Quem algures, aquando disse que seguir o coracao era o mais obvio e facil....AH!pois entao nunca comeu um MEGA BIC MAC, toneladas de chocolate, bebeu litros de cidra, nunca dancou ate a exaustao, nunca tentou tocar com a lingua na ponta do nariz. Sim, porque para quem nunca fez nada disso; e facil pois claro!
Por fim, resta a duvida que de duvida nao tem nada. Porque o caminho ja foi escolhido e o outro, permanecera desconhecido, pois foi aquilo que caiu bem e que no fundo sabemos(talvez a escolha certa).
Inspired by "the road not taken", Robert Frost

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

se isto, se aquilo

Picture by Andrew Kempson, Cunene/Angola
Gostava de ter nascido com um coracao mais pequeno, do tamanho duma colher va. Que chegasse mas nao sobrasse. Que sofresse mas nao arfasse.
Nao ter esta capacidade de caber tudo e mais alguma coisa ca dentro, uma lixeira sem fim. O desnecessario, o necessario, o verdadeiro, o estupido e o superfluo tambem. Ser daquelas pessoas cujas emocoes estao a flor da mente e nao a flor da pele. Pensar que nem tudo vale a pena, mesmo a alma nao sendo pequena.
Tendo em conta que do tamanho duma colher ja e mais que razoavel e a volta da media geral, e tendo eu este king size: tudo mal. Incompreensivel para quem tenta compreender; inexplicavel mesmo eu querendo dar o braco a torcer.
Gostava de ter nascido com a cabeca mais nos ombros, nem muito para a esquerda nem tanto mais para a direita. Apenas no meio, bem assente. O suficiente para nao ter que andar por ai a remendar-me com fita-cola e desviar-me a tempo das sarjetas no meio da estrada.
Gostava ou gostaria, mas como tudo-utopia.

domingo, 9 de janeiro de 2011

aucune definition disponible.

"No, I even know better than that. I'm looking for selfishness. Perfect selfishness. Like, say I tell you I want to eat strawberry shortbread. And you stop everything you're doing and run out and buy it for me. And you come back out of breath and get down on your knees and hold this strwaberry shortbread out to me. And I say I don't want it any more and throw it out of the window. That's what I'm looking for."
"I'm not sure that has anything to do with love,"I said with some amazement.
"It does," she said. "You just don't know it. There are times in a girl's life when things like that are incredibly important."
"Things like throwing a strawberry shortbread out of the window?"
"Exactly. And when I do it, I want the man to apologize to me.'Now I see, Midori. What a fool I've been! I should have known that you would lose your desire for strawberry shortbread. I have all the intelligence and sensitivity of a piece of donkey shit. To make it up to you, I'll go out and buy you something else. What would you like? Chocolate mousse? Cheesecake?'"
"So then what?"
(...)
"Well, to me, that's what love is. Not that anyone can understand me, though." Midori gave her head a little shake against my shoulder. "For a certain kind of person, love begins from something tiny or silly. From something like that or it doesn't begin at all"
-in Norwegian Wood, by Haruki Murakami (c)
Image: Teotihuacan-Mexico

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Desejo sem apetrecho

Eu e tu sem amor, sem pudor, ao pulsar do teu sangue quente, ao ritmo das minhas ancas (…)
Vejo as tuas mãos desbravar cada centímetro oculto, cada pedaço de pecado que nem eu ainda saboreei. Sabe a pecado e queima como a tua lava que me corrói e me aquece o ventre: cheio, cheio de ti. E nas pálpebras que me ofereces cerradas e nas pestanas que me percorrem es tão meu e quase que nunca tão vulnerável. Apeteces-me assim. Sempre doce como um cubo de mel derretido que me beija o corpo e se cristaliza na minha boca. Mas de doce enjoo eu, por isso vou trincando a tua acidez com avidez ate me entorpecer no teu turbilhão de sabores.
Dás-me tudo mas também mo tiras de volta. Admiro isso em ti, a tua perícia descarada, o teu olhar esquivo (intenso) que me perfura as costas. Dói não me cansar de ti. Deixas-me tonta. Por isso escrevi como para curar uma eterna ressaca da bebedeira que és capaz de provocar. Eu adoro a violência do teu quadril, o V das tuas costas, não há nada mais parecido com um Apollo, só meu. Que importa quantas mais vezes te vou ter amarrado a mim, a deriva numa cama que nos engole aos dois? Não há maior mar do que aquele que nos separa quando sentimos o peito arfar sob o desejo ardente que temos de disfarçar. Consegues ser os quatro elementos: fogo, terra, agua e ar. A tua sensatez já não me engana, o teu falar pausado também não, o teu olhar já não evita o que queres contornar. Tal como eu. Tens-me nos dedos quando te prendo no meu leito. Não preciso que olhes, mas quero que me consumas. Preciso do teu apetite insaciável, do teu amor de 30 minutos.
Ate a mão lateja ao escrever pois o que deito nesta folha e o que me Fode o juízo todos os Santos dias.
Fotografia : www.olhares.com (autor, nao me lembro :S)

dear life, "I quit".

Nao se assustem. Mas sim, apetece-me entregar a minha carta de demissao, sem pre-aviso, sem nada apenas porque ja nao da e ninguem conseguiu prever o contrario. Como e que se pode dar aviso previo para romper um contrato que nunca se escreveu?Desiludimos, deixamos para tras sem justificacoes plausiveis e talvez com remorsos.Como em qualquer historia de amor digna desse atributo.
Tambem nao quero regalias nem compensacoes em nome dos meus anos de carreira ou dos feitos cumpridos. Poucos nao sao. Dispenso grandes discursos com choros histericos, lencos brancos em mao. Sorrisos sinceros chegam e sobram.Dem-me apenas um ombro amigo para eu encostar a cabecinha e chorar ate encher de agua salgada o mais fundo dos pocos.
Demito-me; mas so por enquanto pois como tudo na vida, nada que e bom dura para sempre...
Assino em baixo,
Musette