A ler:

Les Miserables, Victor Hugo



domingo, 21 de abril de 2013

Cinnamon and red fruit cobbler, inspired by Waitrose recipes.



ENG_ Yummy but not hyper caloric...the combination of the sour red fruits and the slightly sweet taste of the dough is perfect! Doesn't take a long time to prepare it, only the baking takes a bit longer, about 35 minutes. Good for a sunday family bake.This recipe serves 6. 

Ingredients:

- 350 g of any red fruits you can find such as strawberries, raspberries, blueberries, blackberries,etc (all the "berry" family). Mix different varieties for a greater taste.
- 200 g of self-raising flour
- 75 g of caster sugar
- 50 g of brown sugar
- cinnamon to taste
- 1 large egg
- 50 g salted butter
- 100 ml milk
- 3 "Krisprolls" toasts or any sweet toast you can find in the biscuit section of the supermarket. See below:



Making the magic happen...

  • Pre heat the oven to 190-200 degrees. Put the fruits in a pan with a spoon of caster sugar and let it cook for 4 minutes till the juice starts to come out.


  • Spoon into an oven dish to make the first layer of the desert
  • In a bowl put stir the flour and the butter, then the caster sugar. Beat the egg and the milk separately and add it to the mixture. Mix it until you get a nice soft dough.










  • Put the dough on a floured surface and separate it into 8-10 balls according to the size of your dish.
fact : it can get sticky so make sure you put flour on your hands before otherwise you'll end up with dough all over your fingers!

  • Arrange the balls over the first layer of red fruits, so that it covers everything ( or almost everything).



  • In a bowl crush the toasts with the cinnamon and the brown sugar such as below.
  • Brush the dough balls with milk and spread the crushed mix on top of it.



  • Bake for 35-40 minutes till the cobbler is golden and the dough cooked.
N.B: enjoy with vanilla ice cream to contrast with the sour red fruits. Delicious :)



PT_ Uma sobremesa deliciosa e nao muito calorica. Perfeita para a preguica familiar do domingo. A combinação dos frutos vermelhos com o ligeiro sabor doce da massa fica perfeita! Nao demora muito tempo a preparar, o tempo da cozedura e que e um bocadinho mais longo: 35 minutos mais ou menos. Esta receita da para 6 pessoas a vontade.

Ingredientes:

- 350 g de quaisquer frutos vermelhos que consiga encontrar tais como morangos, framboesas, mirtilos, amoras, etc. Misture as variedades para maior sabor.
- 200 g de farinha c/ fermento
- 75 g de acucar refinado
- 50 g de acucar mascavo
- canela a gosto
- 1 ovo grande
- 50 g de manteiga c/sal
- 100ml de leite
- 3  tostas "Krisprolls" ou qualquer tipo de tosta doce que possa encontrar na seção dos biscoitos do supermercado.

Making the magic happen...

  • Pre-aqueca o forno a 190-200 graus. Ponha os frutos e uma colher de sopa de acucar refinado numa panela e deixe cozinhar durante 4 minutos ate ficarem bastante sumarentos.
  • Ponha os frutos vermelhos numa travessa ou pyrex para formar a primeira camada da sobremesa.
  • Numa tigela incorpore primeiro a manteiga e a farinha seguida do resto do acucar refinado. Num recipiente a parte, bata o ovo juntamente com o leite. Misture com a farinha e etc ate obter uma massa macia e homogênea.
  • Polvilhe uma superfície com farinha, estenda a massa e separe-a em 8-10 bolinhas.
dica: lembre-se de por também farinha nas maos antes de separar a massa para nao ficar com tudo colado entre os dedos!
  • Disponha as bolinhas de massa por cima da primeira camada de frutos, o suficiente para cobrir a travessa.
  • Desfaça as tostas com o acucar mascavo e a canela.
  • Pincele a massa com leite e polvilhe a mistura das tostas por cima.
  • Leve ao forno durante 35-40 minutos ate o cobbler estar dourado e a massa cozida.
N.B: Desfrute com uma bola de gelado de baunilha para contrastar com a acidez dos frutos vermelhos. Delicioso :) Sorry pelos acentos e pontuação: o meu teclado e um bocadinho deficiente!


musa






terça-feira, 9 de abril de 2013

Rosemary chicken w/ cherry tomatoes and greens pasta w/ homemade pesto, inspired by Jamie Oliver



_ENG_ Easy recipe for a quick and fairly balanced meal. Ideal for busy lunchtimes! As I do most things by intuition and taste, the quantities I use in this recipe are approximative. You can adapt to the number of people you are cooking for and of course if you want to accent one specific ingredient. Anyway, you get the basic idea which is the most important after all :) I hope you enjoy it!

Ingredients:


- chicken breasts
- lemon
- olive oil
- salt and pepper
- rosemary (fresh or dry)
- 5 cloves of garlic
- 1 sweet pepper or big chili
- handful of cherry tomatoes
- handful of green peas
- handful of green beans
- lasagna sheets
- handful of almonds
- 2 handful of fresh spinach
- 100/ 120g of  yummy parmesan cheese ( not grated)
- handful of fresh basil leaves ( not dry! we need all the "yummyness" we can find)



Making the magic happen...

fact 1: you will need to multi-task

  • Season the chicken breasts in a small bowl with  rosemary, lemon, salt and 1 clove of garlic finely sliced. If you can do this 1 hour before for greater taste, even better!
  • Get your other ingredients ready while the chicken is getting its wonderful flavor from the seasoning: cut in half a handful of cherry tomatoes, green peas and green beans. Cut or break the lasagna sheets in random shapes- get your imagination going!

  • Meanwhile, heat the olive oil in a frying pan then place chicken breasts, the remaining 4 cloves in their skin (molto importante) and the pepper/chilli. 


  • Keep an eye on it, turning the chicken breasts from time to time. Once they've turned into a  gorgeous golden/brown color, add the cherry tomatoes for a last touch of juicyness.
  • When the tomatoes are soft but not completely squashed- chicken is ready!


  • Bring to boil a large pan of water with a twist of olive oil and salt.
  • When the water is boiling, fold in the beans and leave them for 3 min.

  • Put the lasagna bits + peas + a handful of spinach and cook it until the lasagna pasta is just perfect: al dente (~ 3 min).
  • When the pasta and greens are cooked, drain it and rinse it with cold water.
  • Place the pasta in a large cooking dish and add a handful of fresh spinach once again.
  • Add pesto and mix it so all the pasta is incorporated in the sauce.
  • Place a few parmesan shavings and ground pepper...and it's done!

  • For the pesto: in a blender/ food processor/ mixer (whatever you have at home), mix the a handful of almonds, basil leaves, 100g of parmesan cheese, juice of half lemon, a little bit of olive oil and half a cup of water.



  • Let it mix until you get a smooth green paste with tiny tiny bits of almonds inside. If the pesto is too thick, add water. Season with salt and a pinch of pepper to your taste.

For the final touch, enjoy it with a chilled glass of white wine. My suggestion: chardonnay or any type of young white wines. 

NB: if you think it would be a good idea for me to publish these recipes in portuguese or french, just let me know. I am looking forward to seeing your pictures and hearing from your experiences on this recipe! Don't hesitate to tag me on instagram @musacruz or just leave a comment here! See you soon :)


musa



quinta-feira, 31 de maio de 2012

Red Moleskine



             Blythe Doll Picture by: sallylouvintage.wordpress.com


Noites brancas, sono que nunca vem. Rotina que não existe, tempo que se ocupa sem nada nos ocuparmos. Longe de todos os lugares desconhecidos e descobertas que a faziam sentir em casa, por mais indecifrável que fossem as frases, sempre fora um conforto poder perder-se num mundo diferente e fingir sentimentos novos. Não ter que ser ela própria, nem justificar responsabilidades a ninguém. Era bom que tudo também pudesse ser assim cá como lá. Mudar de vida num segundo, fingir ser a Alana e não a Maria. Fingir uma desorganização doentia e uma voz que não lhe corresponde para poder voltar a sentir aquela adrenalina viciante percorrer lhe o corpo todo. Pois no fim do dia a história era sempre a mesma e a verdade só uma. Era viciada em adrenalina. Muitos confundiam sua estranha maneira de ser com a necessidade de ser o centro das atenções, hoje e sempre, ou simplesmente com o facto de ser uma mentirosa compulsiva. Mas isso dos outros pouco interessa nesta nossa estória.

Foi numa dessas noites perdidas que tudo mudou. Numa simples ida à biblioteca para fingir que estudava como todos os outros quando na verdade apenas se divertia a tentar imaginar a vida de cada um atrás dos ecrãs dos computadores, ou de outros perdidos nas calculadoras e folhas de exames.

Sentou-se numa das mesas reservadas para os grupos de estudo. Sempre com o seu sorriso traiçoeiro e com a resposta pronta de quem sabe muito bem o que quer mas que no fundo só se engana a si própria. Ninguém olhou para ela, pois podia muito bem ser uma simples aluna na qual ainda não tinham reparado. Lugar perfeito, vista para o pátio, ficha tripla para todas as tecnologias necessárias e mais alguma. All set para a sua noite perfeita do seu estudo. As primeiras horas decorreram como planeara: descobriu quem eram os namorados, os pretendentes secretos que se contorciam nas cadeiras quando ela passava, os madrugadores, os chatos, e tudo o resto. Mas como todo o hobby e todos os que ela tinha tido ultimamente, fartou-se. Começou por tirar o livro do saco e tentar ler o primeiro capitúlo sem as habituais interrupções das suas ideias desvairadas. Desistiu mais uma vez, foi fumar o seu primeiro cigarro da noite/dia quando reparou que o lugar do lado já não estava ocupado. Não tinha tido tempo de memorizar os traços, mas do pouco que tinha reparado tinha em mente que era uma rapariga bastante agitada com um perfume parecido com o seu. Cabelo aloirado muito comprido também. O olfato nunca a deixava ficar mal, sempre fora o seu sentido mais apurado e aquele cheiro era sem dúvida inconfundível. Como um toque suave de flores silvestres misturado com uma ou duas gotas de limão. Na verdade sabia toda a composição de cor pois era da sua autoria. Desde pequena que adorava dar aso à suas ideias desta maneira. Tanto que no dia do seu 11˚ aniversario, os pais lhe tinham oferecido um kit completo que ela usava até hoje para poder inventar e manipular todas as fragrâncias que lhe vinham a flor da pele- incluindo o seu próprio perfume. Tinha a certeza de ter reconhecido aquele cheiro único e inimitável que ela tanto tinha demorado a encontrar. A combinação perfeita que mais ninguém poderia ter. Única como ela. Agora na pele de uma estranha que ainda há pouco estava sentada a meio metro dela.
Perdida nos seus pensamentos, só se alertou com o nascer do dia quando reconheceu o palrear dos passarinhos já há muito cansados de cantar. Caminhou até à saída da biblioteca, quando distraídamente tropeçou nalguma coisa. Levantou-se rapidamente e então reparou no que estava caído aos seus pés. Um pequeno Moleskine vermelho com o a sigla da biblioteca. Provavelmente um esquecido por alguém. Nada de especial, por isso não ligou. No entanto a curiosidade falou mais alto, para variar. Voltou-se para verificar que ninguém a estava a observar e apanhou o caderno. Só para ver. De facto não era nada de especial, mas ao folhear as páginas encontrou um cartão de sócio de uma estudante e um velho bilhete de autocarro com destino a Hyde Park.

Lisa Laarsen, sócia numero: S00304951.


O nome obviamente não lhe disse nada/ não lhe lembrou de ninguém mas a sua expressão tinha alguma coisa de familiar. Cá fora, já no seu segundo cigarro, analisou a fotografia com mais calma. Podia muito bem ter entregue o conjunto todo na recepção. Com certeza quem o havia perdido ia voltar a procurá-lo, sobretudo nesta época de exames. Viu então no cabelo comprido com seus reflexos platinados e percebeu todo o ar de mistério que aquela rapariga lhe inspirava. Uma cara angular e pequena, não especialmente bonita mas com uma expressão que lhe chamou à atenção. Como uma mentira descarada que o tempo tinha estampado naquele rosto fora do vulgar. Mas porquê?

Ao chegar a casa, despiu o “disfarce” e enrolou-se nas profundezas dos lençóis, sempre a imaginar todos os enredos mais impossíveis do seu catálogo de filmes favoritos que se aplicassem à situação. Finalmente conseguiu sossegar: sabia exatamente o que fazer com o pequeno caderno e o sono veio sem mais demora.



terça-feira, 17 de abril de 2012

pensee du jour

"J'emmerde qui s'emmerde autant pour m'emmerder alors que je ne m'emmerde point de tout cet acharne' emmerdement", dixit Ze Merde

sábado, 10 de março de 2012

Little Nha Trang blues.

Nha Trang city, "beach capital of Viet Nam".

Uma marginal delineada por arranha ceus e um suposto litoral de 6 kilometros de praia a perder de vista com rochas em plano de fundo, aqui e ali. Ate aqui eu percebo mais ou menos a fama que este sitio possa ter no meu guia Lonely Planet ao nivel de Miami, ou outra cidade do estilo. Mas o meu instinto e conselho de outros viajantes astutos foi bem claro: nao vale a viagem-o detour.

2hoas de estadia: it's ok. 5 horas de estadia: nao consigo ficar sossegada na praia. 8 horas de estadia: acho que nao gosto muito. 12 horas de estadia: -.-'

Nao gosto deste sitio a abarrotar de gente com uma praia que nao tem nada por ai alem. Meu rico Mussulo sem os importunios constantes das vendedoras e as semi-prostitutas das massagens. Massagens com 'asian-style happy ending'. Maravilha.

Aqui sim e perfeito para as manadas de russos novos ricos e backpackers que so viajam praticamente para coleccionar memorias de bebedeiras nos sitios mais improvaveis do mundo, a todo o dia, a toda a hora. Elas pintam-se todas e logo aparece uma enchente de maquilhagem em todas as camas do dormitorio. Ate agora ainda nao consegui resolver o misterio de como tanta bugiganga inutil cabe numa mochila de 1 metro de altura e aproximadamente 15 kilos. Tanta coisa para se mascararem neste calor insuportavel onde ninguem as conhece e daqui a uma hora estarem irreconhecivelmente au naturel. Epa, bitches. A melhor parte disto tudo e voltarem para o Canada, Australia, Noruega ou sei la aonde e dizerem : "OH MY GOD: Vietnam is sooooo cool! You gotta go there!". Mas nao sabem praticamente nada. Acabam por fazer aqui o que fariam em casa. All the time, all over again.

Ha dias que nao suporto este turismo "aproveitador". Mas como tudo, faz parte.

Inte'

Image: http://en-4assets.hostelbookers.com/images/hostel/25000/25008-6.jpg

domingo, 26 de fevereiro de 2012

The thai chronicles I- 3 mitos

Ha mitos urbanos, ideias pre-concebidas, doxas, estereotipos que todos nos conhecemos bem ou mal. Muitas vezes quando descobrimos e vemos pelos nossos proprios olhos que sao descabidos de qualquer bom senso nao nos damos ao trabalho de chegar ao pe do outro e dizer: "hey, ouve, esquece aquilo...'nunca que never jamais em tempo algum, em sitio nenhum' e verdade. " Acabamos por nos esquecer de tal maneira que mais tarde, ninguem mais acredita na nossa historia. Portanto, enquanto ainda esta fresco na memoria aqui vai:
  1. Tailandia=praias desertas e paradisiacas? UNCHECK. Desertas nunca vi nenhuma por mais longe que tivesse de terra e por mais pequena que fosse a ilha, mesmo Phi Phi. Esquecam. Ha sempre um casal de velhotes estorricados a passear ao nosso lado, um grupo de viajantes com os decibeis Muito acima do normal ,etc. Sim, ha praias com 15 pessoas o que ja nao e mau e 90% sao mesmo de tirar o folego. Agora nao vale a pena imaginar que vamos ser o Robinson Crusoe da nova geracao ou a ultima Coca Cola do deserto. Nao aqui.
  2. Os asiaticos, thais, sao amarelos? UNCHECK. Sempre me lembro de ouvir alguma coisa parecida com isto desde pequenina. Lamento, apos muitos dias de observacao e ter encontrado asiaticos de mais de 4 paises diferentes, Nao concordo. O mais que possam ser e duma cor tipo 'noruegues-iogurtado' pois sao verdadeiramente obcecados em manter um tom de pele claro e quase que fogem do sol como se dum laser mortifero se tratasse.
  3. Tailandia como outros paises do sudeste asiatico tem um transito caotico?UNCHECK. Depois de batalhar contra os kandongueiros e ter sustos de morte nas estradas da India. Aqui e canja de galinha. Talvez em comparacao com a Europa seja mais desorganizado obviamente, mas nao e tao mau como as pessoas as vezes o descrevem la fora. Motas, carros,bicicletas, tuk tuk e pessoas conseguem circular ate surpreendentemente bem mesmo numa cidade-metropole como Bangkok . Os sinais de transito sao respeitados a cada cruzamento e garantem um transito ate bastante fluido. Nao ha muitas buzinadelas e nao e impossivel de todo conduzir por estas bandas. Digo eu...
E tudo, para ja...
P.S: desculpem os acentos.

sábado, 26 de novembro de 2011

Namaste

elephant ride, Jaipur- India

Há pequenas crónicas que fazem a diferença e outras que hão de ficar para sempre esquecidas no canto esquerdo do jornal, gratuito ou não. Com a foto do autor estupidamente sorridente a olhar para nós como quem implora: vá lá, lê isto, espremo os meus neurônios para publicar algo decente de quando em vez, faz lá um esforcozito.

Curiosamente, sempre que estou dentro de um avião, dou por mim a fazer as descobertas mais inesperadas nas revistas de bordo. Atiro-me logo às páginas das crónicas de viagens e acabo por aterrar com os melhores excertos enfiados no bolso. Talvez esta seja uma das razões da minha “febre de viajar”; desde cedo inculcada pelos meus pais, mais tarde cultivada com muitos números da National Geographic Magazine e por fim cuidadosamente mantida graças aos meus benditos bilhetes GP/staff tickets.

Muitas vezes estes famosos pedacinhos de papel com fotografias aliciantes levam-nos muito mais além do que qualquer grande reportagem mesmo quando a protagonista parece completamente perdida com a mochila às costas. A escrita, o vívido das experiências em papel transparecem mais emoção e realismo, por mais que contraditorio que pareça. Com a imaginação à solta, dá-nos espaço e tempo para nos pormos no papel principal, fazermos stop e recomeçarmos tudo de novo. A nossa própria aventura, seguindo as pegadas do autor.

O dom de fazer os outros viajar não é definitivamente de todos nem para todos por mais que o narrador seja conciso. Não é como falar de amor, nem de saudade. Ou da tristeza dos cappuccinos ao abrigo da chuva. Os clichés não são tão facilmente disfarçáveis. Por outras palavras, todos nós podemos pegar na caneta ou chegar-nos ao teclado para transcrever o que se sente, o que dói, pois de uma maneira ou de outra temos sempre exemplos à mão ou parâmetros comuns. Tristeza arde. Amor sabe bem. E por ai além.

Mas realmente conseguir ocupar meras páginas com toda uma viagem, todo um país e um povo. Não é para ninguém. Não há cliché que convença o suficiente. O único impacto é aquele do já foi visto e feito. Por mim a perícia destas crónicas reside, não no resumo de tudo mas no exemplo daquilo que mais nos tocou, que vivemos e sentimos por mais adverso e complicado que tudo isso tenha sido. Aí sim, a verdade pelos nossos olhos e não pelas melodias e os filmes dos Outros.

A beleza de conter tudo e muito mais numa só narração. O autor, o medo, as paisagens, os encantos, as impressões, os sabores, o tempo, as atrações, as decepções e tudo mais.

Quem me dera ter o dom de escrever a prosa mais bonita do mundo. Mas vou tentando ser livre de viver e experimentar tudo em todo o lado. Que seja eterno enquanto dure.

Namaste

Picture by N.M. Fernandes